Pular para o conteúdo principal

Postagens

A família

Eles batiam em caixas e baldes velhos. Eram uma família, talvez de sangue, um ou dois podiam ser amigos ou não. Mas eram uma família, não de sangue, talvez de laços. Estavam cantando e batiam em caixas e baldes velhos. Todos os oito: uma senhora, quatro homens, três mulheres mais jovens e mais um cachorro que estava deitado na grama. Alguns deitados sobre cobertores e outros sentados no chão sob a sombra de uma árvore à beira da rua do centro da cidade. Qual eram as suas histórias?, de onde eram?, por que estavam ali?, por que cantavam? As perguntas me vieram aos montes, eu não sabia se era por curiosidade ou por sentir todo peso do mundo.  A música deles era um grito sufocado para serem ouvidos, não serem marginalizados e excluídos. Ou talvez fosse um grito meu de desespero por não saber o que fazer... Eles eram oito. Cantavam e batiam em caixas e baldes velhos. Uma senhora, quatro homens, três mulheres mais novas e um cachorro. Alguns estavam deitados e outros senta...

Abacaxi

Muitos são os desafios que encontro pelo decorrer do meu dia, um dos piores é a ansiedade: ataques de pânico, sudorese, taquicardia, falta de ar, ansiedade social, insônia. E sem contar a constante sensação de alerta e medo recorrente. Faz muito tempo que não passo no psicólogo, posso lhe apresentar várias desculpas: falta de tempo, porque não encontrei um psicólogo com o qual me sentisse a vontade, algum que o convênio cobrisse, algum que desse para pagar, algum que tivesse a agenda vazia. Mas, principalmente, por falta de vontade. Meus amigos não aguentam mais as mesmas reclamações – eles não dizem, mas eu sei que eles não aguentam mais – porque sempre dão os mesmos conselhos, ou, às vezes, eles não me compreendem e isso é frustrante. Sempre pensei que fosse encontrar a paz e a calmaria em outra pessoa, nunca fui de ter muita autoestima e, logo, amor próprio. Sempre busquei amor nas outras pessoas: errado, abusivo e doentio... Eu sei. Mas encontrei em mim uma força inter...

Ultraviolência

O feminino é ultraviolência: Resiste ao masculino, Reafirma sua existência. Expressionismo violento de sexualidade. Fonte de masculinidade, A subversão do gênero: Reconstrução mais forte. Rasga o falo e aflora gente. Luz interna e estrutura resistente. Força massiva de destruição. Fragilidade do homem: força feminina. Contraditório: anseio pela vida Ser feminino na prisão masculina Luta violenta, aceitação pessoal: vagina. H.B.

Devaneios e anseios

I - Refração Ao mar não pertence o azul do céu, e a este também não o pertence. O azul pertence, e unicamente ao sol. Digamos que não passamos de superficialidade como o espelho mar: reflete o céu que também é só uma ilusão criada pela união do sol e dos gases. Ou seja, assim como o impetuoso mar, vemos o que queremos em cada pessoa. Somos mais do que o mar ou o céu, somos um sol, afinal "do pó viemos e para o pó voltaremos". Ocorreu-me um porém: podemos ser belos como o sol ou o peso que esta frase carrega: pó, sujeira, restos de pele morta. Do pó das estrelas para o nada... Pó de estrelas. Desculpa, mas são meras bobagens que tornam o homem um ser estupendo, tão estupendo que mata sua própria espécie (ou outro ser feito de pó de estrelas, alguém igualmente grandioso como se faz parecer mas que se matam. Onde está a grandiosidade nisso?) em nome de Deus (?). Prefiro acreditar na frase sagrada "do pó viemos e para o pó voltaremos" com a conotação de sujeira...

Constelações

Desenhos estelares que descrevem Nossas vidas mudanas em terra Poeira cósmica milenar Que em nossas almas reverbera Abrigam estrelas minhas: Quasares quentes e distantes, Nosso Sol e tantas mil. Tecem teias infinitas de amizade                   [que invadem a Terra com seu bril Estrelas agitadas em seu plano Não desçam de seu lar A escuridão não vai nos separar Digo: "essa energia atemporal é infinita Que une gente e brilho Não é gravidade, é mais do que isso..." H.B.

Os quatro elementos

Água corrente dos rios e oceanos Fogo quente e recriador das massas Terra forte e impetuosa dos continentes Ar fluido e limpo dos céus transparentes Chuva fina que cai sobre a pele Faisca que acende a chama da paixão Rocha que sustenta toda uma dinastia Brisa que refresca e emana vida Tempestade que limpa Vulcão que incinera Terremoto que derruba Furacão que dilacera Sangue quente que me transborda Temperatura que sobe ao ver gente Ossos cicatrizados cheios de histórias Respiração que limpa minha mente H.B

Soda

Ela está perdida procurando algo para beber Ofereceram-na amor num copo de vidro. Mas seu coração não existia Chamaram-na então, senhorita Coração Partido. Ela vivia na correria Dizia procurar pelo seu coração As pessoas respondiam "é falta de alguém" Com medo, sua única solução Para uma garota amargada Era aceitar a tentação do suicídio Bebendo de outro copo de vidro O doce escorreu pela sua boca Pelos lábios amargos de lima Mas era cáustico e ela não sentia - HB