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Mostrando postagens com o rótulo Soneto

Efeito borboleta

Eu sou o caos. Tudo que faço é imprevisível, Não vivo na constância. É revolução. Eu sou as borboletas no estômago. Todas elas causam náusea. Só sei ser uma coisa:                            [Coisa, não gente. Confusão. Sou causa e efeito, Efeito borboleta; E feito vôo Às vezes vou Mas sempre volto... Me desculpe por voltar                          [E nunca saber ir.

A balada, ou o balé, das estrelas

Uma estalada: o céu se fez. Caiu em meus braços, De véu branco E brilho intenso Estrelas, todas elas! "Mas e nós?", um nada. Não nascemos do estalar dos dedos, Contudo do rebento. Por entre o ventre das Marias Ou Gaia. "Das estrelas?" Você pergunta novamente Das estrelas, mas não somos Apenas existimos e com elas brilhamos, entretanto não o mesmo brilho. -H.B.

Suicídio do coração silencioso

Os corações dos artistas Estão todos arruinados Destruídos, sozinhos, partidos Partidos para longe, longe dos amores        [Arruinados? Você é a ruína e a perdição. Mas é a Noite Estrelada que me veste, Com seus espaços escuros e a solidão? Ou Van Gogh quem me pinta Com as várias vozes em constante colisão?     [É a tristeza, e é quem você é Do canto da minha mente em escuridão, Para um profundo azul anil.       [Como o mar... "Amar?"... Todos os sentimentos estão em profusão. “Onde não puderes amar, não se demores” Frida, eu não amo nem mais a mim E a minha boca não se cala, ela grita: socorro!     [Mas a mente sufoca, sufoca...

Ultraviolência

O feminino é ultraviolência: Resiste ao masculino, Reafirma sua existência. Expressionismo violento de sexualidade. Fonte de masculinidade, A subversão do gênero: Reconstrução mais forte. Rasga o falo e aflora gente. Luz interna e estrutura resistente. Força massiva de destruição. Fragilidade do homem: força feminina. Contraditório: anseio pela vida Ser feminino na prisão masculina Luta violenta, aceitação pessoal: vagina. H.B.

Constelações

Desenhos estelares que descrevem Nossas vidas mudanas em terra Poeira cósmica milenar Que em nossas almas reverbera Abrigam estrelas minhas: Quasares quentes e distantes, Nosso Sol e tantas mil. Tecem teias infinitas de amizade                   [que invadem a Terra com seu bril Estrelas agitadas em seu plano Não desçam de seu lar A escuridão não vai nos separar Digo: "essa energia atemporal é infinita Que une gente e brilho Não é gravidade, é mais do que isso..." H.B.

Os quatro elementos

Água corrente dos rios e oceanos Fogo quente e recriador das massas Terra forte e impetuosa dos continentes Ar fluido e limpo dos céus transparentes Chuva fina que cai sobre a pele Faisca que acende a chama da paixão Rocha que sustenta toda uma dinastia Brisa que refresca e emana vida Tempestade que limpa Vulcão que incinera Terremoto que derruba Furacão que dilacera Sangue quente que me transborda Temperatura que sobe ao ver gente Ossos cicatrizados cheios de histórias Respiração que limpa minha mente H.B

Soda

Ela está perdida procurando algo para beber Ofereceram-na amor num copo de vidro. Mas seu coração não existia Chamaram-na então, senhorita Coração Partido. Ela vivia na correria Dizia procurar pelo seu coração As pessoas respondiam "é falta de alguém" Com medo, sua única solução Para uma garota amargada Era aceitar a tentação do suicídio Bebendo de outro copo de vidro O doce escorreu pela sua boca Pelos lábios amargos de lima Mas era cáustico e ela não sentia - HB

Fases

Soneto I - Coração de chiclete Bem vindo ao amor juvenil: Ter muitos, não ser de ninguém. Não sou de boca nenhuma... Egoísta, sou prazer meu. Mastigue o seu, puro açúcar mortal. Saiba que é chiclete Engula depois, é apenas ácido letal. Agora é apenas veneno O coração é de plástico As chamas o consomem, As emoções conversam com o dinheiro. Corações de chiclete não sabem amar, Inflam seus ego-corações. Qual será sua próxima vítima? ***** Soneto II - Quando o Universo conspira Conspira contra nós, oh Universo. Somos todos maltratados Por esse mundo controverso. Somos a escória dos mal amados. Poetisamos, pintamos, cantamos Transformamos a dor em arte. Fugimos da realidade que abalamos Com a nossa destruidora arte. Corações corrompidos; Partidos em dois, Fomos esquecidos. Reconstruimos o mundo Modelamos nossas mentes Não há paz sem a nossa guerra... ***** Soneto III - Vidro Meu coração é de vidro E há nele três rachadur...

Signos

Não me restrinja a uma constelação Sou mais do que isso, um universo Cheio de estrelas e buracos negros De certezas e contradições Não sou signo, base de personalidade Não sou símbolo, sem significado Sou explosões e luzes n o espaço Implosões e sentimentos apertados Sou pessoa, alma e mente Não sou só estrela Sou espaço e muita gente Sou infinito, imenso, um oceano Adjetivos, superlativos, minimalismo Sou mais do que dois extremos, sou tudo. H.B.

Bomba atômica

Meu corpo nuclear se rompeu Protejam-se todos dos raios gama Soem os alarmes! A todos: cuidado, posso explodir Pessoas que prestam atenção: Apenas me amarão aqueles de coração de chumbo. Soldado, pegue sua arma e a aponte para mim. São tempos violentos os de guerra. Coração atômico do peito radioativo Que seja para matar de amores Não sufoque as pessoas com os seus horrores. Cidadãos gritantes do mundo Escondam-se debaixo da terra Atenção! Vou explodir todo o meu amor. - H. B.

O cravo e a rosa

Enchia os campos, a primavera: O cravo, amarelo, contava suas pétalas A rosa, vermelha, chorava o seu desabrochar Com seus perfumes, convidavam as borboletas. O cravo perguntou a rosa: Por que chorastes? A rosa, tímida, respondeu: Meus espinhos espantam as borboletas. "Não chore, botão avermelhado Eu te amo com todos os seus espinhos Não se despetale, és a mais bela das flores." O cravo lançou todas suas pétalas ao ar As borboletas seguiram-nas até a rosa; E a rosa, então, desabrochou todo o seu amor.

Estrela

Estrela cadente que rasga o manto escuro Onde brilham as estrelas contentes Dê-me um pouco de sua graça Para iluminar meu coração duro. Entre todas vocês serei um brilho, Ou um buraco negro no frio espaço? Tirem-me daqui onde não sou ninguém, Não aguento mais viver de perdas. Sou só mais um carvão Esperando que notem meu ser de'amante. Amar? Oh, não amo ninguém... Não posso... Estrelas não amam Brilham! Preciso mostrar a todos. Suplico-lhe: mate-me, deixe-me brilhar com você.

Raio, relâmpago, trovão

Morri no mesmo instante em que nasci. A saudade é a minha sina. Ele me trouxe para cima Para morrer eternamente. Estou te esperando, E toda vez que tento te alcançar Morro em luz e som. Começando tudo de novo: O raio é o meu início, O relâmpago a minha imagem, O trovão o meu grito. Quando eu finalmente te alcanço Percebo: não sou mais seu Pertenço ao recorrente fim

Girassóis

Seguem o sol, perseguidos Pelo jardineiro e suas regras. Pergunto aos girassóis retorquidos: "Por que amam o que não podem alcançar?" Eles responderam sorrindo amarelo: "Porque nos obrigam a ser assim". O sol se põe e os girassóis se curvam, Choram por sua partida (planejada). Aos primeiros raios de sol Sorriem esperanças Talvez algum dia eles percebam Que o verdadeiro amor É aquele que cuida e rega E que o sol os cega.

Para amigos ou amores

Nunca pensei, quando te olhava de longe, Que conheceria o seu jardim E me apaixonaria pelas tuas flores, Que aos poucos chegariam ao fim. Internamente luto contra a escuridão E a angustiante solidão. Por fora eu enfrento o tempo Que muito nos deixa partir; Roubar de mim os nossos momentos, As nossas fotos não reveladas, Algumas lembranças devastadas. Em um abraço químico Tento segurar a confusão Da nossa bagunçada união.

A manifestação de Carmen

Há dias que minha alma rompe O invólucro estremece E Carmen, com todo seu brilho, resplandece O seu ser me interrompe. Meu Eu mais poderoso, o feminino; Que o frágil e fraco masculino. Carmen luta e fala por mim Nada que eu escreva soa assim Se não fosse por ela, seria incompleto Minha poesia secaria Meu amor morreria Carmen, minha metade, minha escrita Carmen meu ser, minha poesia Carmen o que seria de mim se não fosse você? - H.B.

Arco iris ou poema manifesto

7 cores rompem a chuva, Trazendo guerra e paz. Chuva esta que oprime A donzela Terra. 7 cores quebram o paradigma: A luta entre céu e terra. Querem ser ouvidas e notadas. Trazem o equilíbrio entre rosa e azul. 7 cores se misturam Exaltando a igualdade E no fim, o tesouro amor. 7 cores formam gente, Gente como a gente Que lutam pelo fim... H.B.

Nave azul galáctica

Nave azul galáctica Por quem meu coração bate, Vivo me perguntando: "Quais os segredos que esconde?" Nave azul galáctica Que o universo ultrapassa. Cuidas de coisas belas Que não a veem como mãe. Sol radiante que aí fora vive Ilumine as mentes dos ignorantes E salve sua filha do fim. Humanos da Terra, vos digo: "Tomeis cuidado, porque Como em toda nave, acaba o combustível". - HB

Fagulha

Nasceu das brasas do coração, Percorrendo as veias, Buscando no íntimo Algo para sua combustão. Encontrou em você, Em cada dobra do seu sorriso, O que consumir para viver; Você é a poesia que me move. Quando vejo-te, o fogo vive; Quando ouço-te, o fogo consome; Sufoca-me, queima-me, domina-me. Você alimenta minha poesia, Acende o fogo no meu âmago... Eu sou fruto do seu existir... - H.B.

Prece aos deuses

A ferida, por Eros, em mim deixada Rubro sangue do tenro coração Meu vazava; era paixão Que por Afrodite fora incendiada Cada gota espessa que pingava No chão frio rosas, Narcisos e adônis desabrochava. Desperto nas noites brumosas E peço aos Olimpianos Que me traga Piramo Tisbe, Cupido ou Psiquê. Prometeram ao gorgolejante Estige Que sob a amoreira O meu futuro me aguardava... - HB