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Juno

Juno, se você me permitir, serei seu Júpiter E dançaremos juntos pelo infinito Universo Mas, diferente dos planetas, não quero prendê-la em minha órbita Quero viver com você, nos tornarmos mito e lenda  Sentados, lado a lado, no Monte Olimpo Como os deuses do nosso próprio destino  Não tenho poderes divinos, nem sou imortal  Meu poder está nas artes e nas palavras Seja minha musa, ninfa e fada Você mesma, por inteira, adorada Orei aos deuses, joguei cartas e observei as estrelas Esperei por alguém como você E o amor veio literal Juno, se você me pedir, serei seu Júpiter.

Oração para Lua

A manhã vem com O calor do sol e o brilho do dia Mas é a noite que traz  Intimidade, reflexão e acolhimento Que ilumina a escuridão do céu  E traz, em suas fases, as deusas E suas três faces  A virgem, mãe e anciã Selene, Hécate, ou Jaci As Deusas com seus mistérios  Me fazem olhar para dentro  E cuidar de mim e dos meus sentimentos Enfrentar meus monstros  E toda noite agradeço, aceito, peço e jogo pro universo

Oração à Afrodite

Se Cronos, pai temporal, permitir Que Afrodite preencha-me Com toda a espuma do mar E que transborde pelo meu peito Todo o amor que algum dia deixei de dar Para mim mesmo (e muito mais) Sob sua benção e proteção  Que Eros e Cupido curem o meu coração  Que reverbere por todo meu corpo Reconstrua essa morada amarga E que receba carinho e atenção  Esse ser redescoberto e incongruente  Que ame suas feridas e os remendos Que encontre no imperfeito sua revolução  [De ser quem se é 

Para o meu primeiro amor

Eu tive sorte quando encontrei o amor pela primeira vez E azar de perdê-lo sem perceber de que era a última Não sei se haverá uma segunda chance Mas se houver, não deixarei você partir (nunca mais) Apesar de toda dor do fim Acredito que amarei uma vez mais  E talvez tantas outras Mas nunca te esquecerei O sol está se pondo Não no horizonte, Mas dentro de mim A escuridão cai, já não existe esperança  Nem mesmo as estrelas brilham A vida perdeu sentido para mim  [Estou aprendendo a viver sem você. Dói, mas não é o fim

Exploração espacial

I Você percorria meu corpo nu  Com seus lábios e dedos macios  Não era o sexo que importava  Era a lembrança que a gente criava Ficava impressa na memória  Do tempo, a nossa história. E a cada noite, nos descobríamos mais Dois corpos nús, um do outro  Você se demorava em meu rosto E cochichava ao pé do ouvido  O quanto me amava  Mas foi no mais diminuto detalhe  Que você se demorava  Nas três pintas sequenciadas em meu rosto  II As quais você nomeu, carinhosamente, De Três Marias Me tornei, naquele instante,  O manto escuro da noite Minha pele era um universo inteiro Que você explorava com cuidado  Como se fosse algo raro  Delicado de mais para tocar  E perigoso de mais para perder  Mas você é corajoso E me explorou por inteiro E encontrou, num canto distante do espaço, Três estrelas. Você podia ter tudo  Mas preferiu se deter aquele brilho  III  E como sempre  Mostrou-se atento ao que ninguém...

Olhos castanhos

O metrô segue veloz.  Antes de parar na Sé, você me beija nos lábios e na testa, como em todos os dias. Mas então você levanta meus óculos e, segurando o meu rosto, você diz: seus olhos são lindos. Eu sempre achei eles comuns, iguais aos de todo mundo que têm olhos castanhos. Nunca vi nada de especial.  Mas você enxergou neles algo mais. O metrô freia, anuncia a estação, e você desembarca dizendo o quanto gosta de mim.  Depois que você sai do vagão, eu acho que entendo o seu elogio.  Sempre tive necessidade de compreender as coisas, é assim que levo a vida. É preferível entender do que deixar as coisas serem.  O que importa é que, nesses 15 segundos entre você desembarcar, subir as escadas, a porta se fechar e o metrô partir novamente, eu entendo o que você disse.  O que você enxergou nos meus olhos que os deixam mais bonitos, que te fazem parar por 3 segundos só para me elogiar - que me faz arrepiar e me sentir amado. O que você enxerga em mim, na verdade,...

Com urgência

Vivo com urgência De falar tudo que penso  Por medo de esquecer  Ou ser esquecido De perder pensamentos  E não ter tempo de comentá-los Discutí-los  Colocá-los em prática Urgência em sentir e ser sentido De tocar, cheirar, ver e comer  Viver todas as experiências possíveis Vivo com urgência  Com necessidade de vestir roupas E sentir que me gosto assim  Com necessidade de ouvir um "te amo" E me sentir amado E de me permitir a ser amado  Vivo com urgência em me permitir A tudo  A todos  Ao mundo  Com urgência de ser  Por inteiro  Por mim  Pelos outros...  Não, pelos outros não Mas quero que os outros possam me sentir  Vivo com urgência de ser sentido  De ter sentido  De viver com sentido De ser sentimento e de ser tocado Na pele No coração Na alma Só vivo porque sinto E sinto urgência em viver E para continuar vivendo, preciso sentir E com urgência E com urgência preciso aprender a viver sem precisar...

Efeito borboleta

Eu sou o caos. Tudo que faço é imprevisível, Não vivo na constância. É revolução. Eu sou as borboletas no estômago. Todas elas causam náusea. Só sei ser uma coisa:                            [Coisa, não gente. Confusão. Sou causa e efeito, Efeito borboleta; E feito vôo Às vezes vou Mas sempre volto... Me desculpe por voltar                          [E nunca saber ir.

A balada, ou o balé, das estrelas

Uma estalada: o céu se fez. Caiu em meus braços, De véu branco E brilho intenso Estrelas, todas elas! "Mas e nós?", um nada. Não nascemos do estalar dos dedos, Contudo do rebento. Por entre o ventre das Marias Ou Gaia. "Das estrelas?" Você pergunta novamente Das estrelas, mas não somos Apenas existimos e com elas brilhamos, entretanto não o mesmo brilho. -H.B.

Suicídio do coração silencioso

Os corações dos artistas Estão todos arruinados Destruídos, sozinhos, partidos Partidos para longe, longe dos amores        [Arruinados? Você é a ruína e a perdição. Mas é a Noite Estrelada que me veste, Com seus espaços escuros e a solidão? Ou Van Gogh quem me pinta Com as várias vozes em constante colisão?     [É a tristeza, e é quem você é Do canto da minha mente em escuridão, Para um profundo azul anil.       [Como o mar... "Amar?"... Todos os sentimentos estão em profusão. “Onde não puderes amar, não se demores” Frida, eu não amo nem mais a mim E a minha boca não se cala, ela grita: socorro!     [Mas a mente sufoca, sufoca...

Neon - Manifesto Tropical

Deuses tropicais Abençoai a terra do Brasil, Ventre elétrico; fruto do grito dos oprimidos. De brilho neon e corpo elétrico, Brasil virtual dos sonhadores, Negro, gay e feminino. Brasileirismo real: Branco, hetero e masculino                            [Sob as luzes de neon, tudo é mais bonito.] Corpos translúcidos femininos e Samba-funk futuristico Convergem no plano de fundo atual Neon que ilustra a minha verdade Visão de mundo escurecida Simulacro do Brasil H.B.

Mais uma vez Carmen

O vapor se dissipa pelo banheiro. O tempo ali dentro parecia passar mais devagar, mas quando eu saia, haviam se passado 40 minutos. Muita reflexão, crises de existência e inspirações para que, no fim, quando eu saísse do banho continuasse sendo a mesma pessoa e nada tivesse mudado. Isso se repetia e se repetiria.  O espelho refletia três de mim, talvez dois, talvez um. O mais provável é que fosse ninguém. As curvas que eu possuo não me agradam, algumas vezes sim, outras não. Ponho os óculos... tiro-os. Eles ficam tortos... talvez minha sobrancelha direita seja torta, ou meu rosto... Meu nariz parece ser grande, o sorriso com o aparelho não me agrada, e meu corpo muito menos. Há dias que me sinto bem, outros nem tanto, esses são mais recorrentes do que aqueles. A única coisa que amo em mim é o meu cabelo: castanho escuro, sedoso, franja longa, raspado dos lados. Analisando melhor, minhas orelhas são delicadas e discretas. Meus olhos são intensos e repletos de sentimentos. ...

Carmen

Às vezes me sinto sozinho. A ansiedade ataca ou a solidão surge. Mesmo no meio da multidão,quando me sinto fraco, sem poder me defender.  Muitas vezes durante o meu dia, durante a semana, eu me sinto perdido e com medo. Acudido. Minha cabeça sussurra coisas ruins para mim e eu não sei o que fazer. Já fiz terapia e ainda preciso.   Ajuda bastante. Mas enquanto eu ainda não vou, encontrei, sozinho, minha força interior. Ela floresceu e me abraçou, cheira à rosas e possui espinhos longos e fortes. Me abraça como uma armadura e me fortalece cada segundo que preciso. Não sou um só, mas também não sou dois. Não é pseudônimo, heterônimo, drag, travesti ou trans. Sou eu. Talvez queer, não sei. Mas sei que sou ela e ela sou eu. Não é Miranda, mas é Carmen. É Rosa. É Flor. É todo o meu amor por mim mesmo e ainda mais. Não encontrei meu amor próprio em outra pessoa, encontrei em mim e apenas em mim, e esse meu amor é flor. “Encontrei a força do masculino no meu eu mais ...

A família

Eles batiam em caixas e baldes velhos. Eram uma família, talvez de sangue, um ou dois podiam ser amigos ou não. Mas eram uma família, não de sangue, talvez de laços. Estavam cantando e batiam em caixas e baldes velhos. Todos os oito: uma senhora, quatro homens, três mulheres mais jovens e mais um cachorro que estava deitado na grama. Alguns deitados sobre cobertores e outros sentados no chão sob a sombra de uma árvore à beira da rua do centro da cidade. Qual eram as suas histórias?, de onde eram?, por que estavam ali?, por que cantavam? As perguntas me vieram aos montes, eu não sabia se era por curiosidade ou por sentir todo peso do mundo.  A música deles era um grito sufocado para serem ouvidos, não serem marginalizados e excluídos. Ou talvez fosse um grito meu de desespero por não saber o que fazer... Eles eram oito. Cantavam e batiam em caixas e baldes velhos. Uma senhora, quatro homens, três mulheres mais novas e um cachorro. Alguns estavam deitados e outros senta...

Abacaxi

Muitos são os desafios que encontro pelo decorrer do meu dia, um dos piores é a ansiedade: ataques de pânico, sudorese, taquicardia, falta de ar, ansiedade social, insônia. E sem contar a constante sensação de alerta e medo recorrente. Faz muito tempo que não passo no psicólogo, posso lhe apresentar várias desculpas: falta de tempo, porque não encontrei um psicólogo com o qual me sentisse a vontade, algum que o convênio cobrisse, algum que desse para pagar, algum que tivesse a agenda vazia. Mas, principalmente, por falta de vontade. Meus amigos não aguentam mais as mesmas reclamações – eles não dizem, mas eu sei que eles não aguentam mais – porque sempre dão os mesmos conselhos, ou, às vezes, eles não me compreendem e isso é frustrante. Sempre pensei que fosse encontrar a paz e a calmaria em outra pessoa, nunca fui de ter muita autoestima e, logo, amor próprio. Sempre busquei amor nas outras pessoas: errado, abusivo e doentio... Eu sei. Mas encontrei em mim uma força inter...

Ultraviolência

O feminino é ultraviolência: Resiste ao masculino, Reafirma sua existência. Expressionismo violento de sexualidade. Fonte de masculinidade, A subversão do gênero: Reconstrução mais forte. Rasga o falo e aflora gente. Luz interna e estrutura resistente. Força massiva de destruição. Fragilidade do homem: força feminina. Contraditório: anseio pela vida Ser feminino na prisão masculina Luta violenta, aceitação pessoal: vagina. H.B.

Devaneios e anseios

I - Refração Ao mar não pertence o azul do céu, e a este também não o pertence. O azul pertence, e unicamente ao sol. Digamos que não passamos de superficialidade como o espelho mar: reflete o céu que também é só uma ilusão criada pela união do sol e dos gases. Ou seja, assim como o impetuoso mar, vemos o que queremos em cada pessoa. Somos mais do que o mar ou o céu, somos um sol, afinal "do pó viemos e para o pó voltaremos". Ocorreu-me um porém: podemos ser belos como o sol ou o peso que esta frase carrega: pó, sujeira, restos de pele morta. Do pó das estrelas para o nada... Pó de estrelas. Desculpa, mas são meras bobagens que tornam o homem um ser estupendo, tão estupendo que mata sua própria espécie (ou outro ser feito de pó de estrelas, alguém igualmente grandioso como se faz parecer mas que se matam. Onde está a grandiosidade nisso?) em nome de Deus (?). Prefiro acreditar na frase sagrada "do pó viemos e para o pó voltaremos" com a conotação de sujeira...

Constelações

Desenhos estelares que descrevem Nossas vidas mudanas em terra Poeira cósmica milenar Que em nossas almas reverbera Abrigam estrelas minhas: Quasares quentes e distantes, Nosso Sol e tantas mil. Tecem teias infinitas de amizade                   [que invadem a Terra com seu bril Estrelas agitadas em seu plano Não desçam de seu lar A escuridão não vai nos separar Digo: "essa energia atemporal é infinita Que une gente e brilho Não é gravidade, é mais do que isso..." H.B.

Os quatro elementos

Água corrente dos rios e oceanos Fogo quente e recriador das massas Terra forte e impetuosa dos continentes Ar fluido e limpo dos céus transparentes Chuva fina que cai sobre a pele Faisca que acende a chama da paixão Rocha que sustenta toda uma dinastia Brisa que refresca e emana vida Tempestade que limpa Vulcão que incinera Terremoto que derruba Furacão que dilacera Sangue quente que me transborda Temperatura que sobe ao ver gente Ossos cicatrizados cheios de histórias Respiração que limpa minha mente H.B